REDAÇÃO

PROPOSTA 5


FOCO NO GÊNERO: O que é uma dissertação argumentativa modelo ENEM?

É um texto em que o autor apresenta um tema, defende um ponto de vista e constrói argumentos para sustentá-lo. No Enem, esse gênero exige que você discuta um problema de interesse nacional e apresente uma proposta de intervenção para solucioná-lo ou reduzir seus impactos, sempre respeitando os direitos humanos.

Além disso, é necessário usar repertório sociocultural produtivo, ou seja, referências externas (como fatos históricos, obras literárias, filmes, músicas, dados estatísticos etc.) que estejam bem articuladas à discussão do tema.

 

Como escrever uma dissertação argumentativa modelo ENEM?

Para escrever seu texto, é muito importante que você:

1.    Identifique o tema e compreenda o problema central. Anote palavras-chave e informações importantes trazidas pela coletânea.

2.    Planeje seu texto, definindo:

3.    Tese: Qual é o seu ponto de vista sobre o tema?

4.    Argumentos: Quais ideias vão sustentar a sua tese?

5.    Proposta de intervenção: Como resolver ou minimizar o problema?

6.    Estruture o texto, preferencialmente em quatro parágrafos:

7.    Introdução: apresente o tema e sua tese. Uma boa estratégia é inserir um elemento de seu repertório sociocultural logo no início do texto. Além de capturar a atenção do leitor, é uma ótima forma de começar a redigir as primeiras linhas (consideradas por muitos autores como as mais difíceis).

8.    Desenvolvimento 1: explique o primeiro argumento com exemplos, dados ou fatos.

9.    Desenvolvimento 2: apresente o segundo argumento, também com explicações e evidências.

10.        Conclusão: retome a tese e apresente a proposta de intervenção completa (quem fará, o que fará, como fará, para quê fará).

 

Dicas adicionais:

  1. Utilize linguagem formal, evitando gírias e opiniões pessoais.
  2. Use conectores para dar coesão ao texto. Exemplos:
  3. Para introduzir ideias: além disso, por outro lado, em primeiro lugar;
  1. Para concluir: portanto, assim, logo.
  2. Inclua repertório sociocultural produtivo: Traga referências externas que tenham relação com o tema e ajudem a fortalecer seus argumentos.

 

FOCO NO MODELO: Em anexo você um texto nota máxima sobre o tema “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil” (Enem 2024). Observe como a autora inicia com um repertório sociocultural (a obra “Torto Arado”) e relaciona esse repertório ao tema. Nos parágrafos seguintes, apresenta argumentos consistentes e, na conclusão, propõe medidas de intervenção detalhadas, respeitando os direitos humanos.

 

Após o modelo, você encontrará um quadro que mostra como a redação foi organizada. Compare o texto com o quadro e veja como cada parte cumpre sua função. Use esse quadro como referência para planejar sua redação.

 


 

Modelo de Desenvolvimento e Conclusão – Redação ENEM

 

Em primeira análise, convém ressaltar que a escassa valorização de tais tradições se arquiteta como expressão de contribuições históricas. De fato, a escravização de povos oriundos da África, no Brasil Colônia, constituiu a base para a formação do país. Nessa conjuntura, esses indivíduos foram vítimas de violências físicas e simbólicas que, de forma cruel, visavam à docilização e ao apagamento da identidade desses grupos. Desse modo, a marginalização da população negra nesse período, promovida pela elite branca, implicou, consequentemente, na invisibilização dessa minoria até a atualidade, visto que o Estado falhou na inserção social e na valorização do legado africano após a abolição da escravidão.

Ademais, uma segunda análise acerca da problemática revela a influência da hipervalorização da cultura branca. Sob a perspectiva de George Orwell, a mídia é capaz de mover a massa — inclusive no que tange às preferências culturais. Nessa lógica, a hegemonia europeia — de caráter secular — nas produções artísticas brasileiras, somada à inferiorização de elementos de matriz africana, culminou na instituição de uma cosmovisão popular voltada para a descredibilização das heranças invisibilizadas. Com efeito, a exposição midiática insuficiente culmina na subvalorização dessas tradições, as quais sofrem, por exemplo, com tentativas de criminalização, como se pôde observar ainda na Primeira República com o funk em 2018. Logo, essa negligência precisa ser desconstruída.

Portanto, torna-se evidente o impacto de questões históricas e culturais na manutenção do impasse social. Para isso, é fulcral que o Ministério da Cultura e a mídia — entidade de vasto alcance popular — devem promover a valorização de manifestações artísticas afro-brasileiras, por meio da criação de editais e de incentivos econômicos, para que a herança africana seja reconhecida como legítima e essencial à formação da identidade brasileira, finalizando, assim, o processo de depreciação do legado africano no Brasil, assim como em “Torto Arado”.

CHAGAS, Amanda. In: FELPI, Lucas. Cartilha Redação a Mil 7.0. Disponível em: https://www.lucasfelpi.com.br/redamil. Acesso em: 7 out. 2025

Modelo de Desenvolvimento e Conclusão – Redação ENEM

 

1º Desenvolvimento

Em primeira análise, convém ressaltar que ____________________________________________. De fato, ____________________________________________. Nessa conjuntura, ____________________________________________. Desse modo, ____________________________________________, implicando, consequentemente, em ____________________________________________, visto que ____________________________________________.


 

2º Desenvolvimento

Ademais, uma segunda análise acerca da problemática revela ____________________________________________. Sob a perspectiva de ____________________________________________, ____________________________________________. Nessa lógica, ____________________________________________. Com efeito, ____________________________________________. Logo, ____________________________________________.


 

Conclusão

Portanto, torna-se evidente ____________________________________________. Para isso, é fulcral que ____________________________________________, por meio de ____________________________________________, a fim de ____________________________________________. Dessa forma, ____________________________________________.

 

 

Estrutura da proposta de intervenção

  • Agente: ____________________________________________
  • Ação: ____________________________________________
  • Meio/Modo: ____________________________________________
  • Finalidade: ____________________________________________
  • Detalhamento (opcional): ____________________________

 


 

Coletânea para Redação 

Texto I

A Lei nº 11.645/2008 altera o artigo 26-A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996, tornando obrigatório o ensino de História e Cultura dos povos indígenas no currículo nacional. A LDB regula a educação escolar no Brasil.

Em 2003, a LDB foi alterada em seu artigo 26-A pela Lei nº 10.639/2003, tornando obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-brasileira em todos os estabelecimentos de ensino fundamental e médio, públicos e privados.

Em 2008, a LDB foi novamente alterada no artigo 26-A pela Lei 11.645/2008, que acrescentou a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Indígena na educação básica brasileira. Posteriormente, em 2013, a LDB foi alterada para incluir a consideração com a diversidade étnico-racial como um dos princípios da educação básica no país.

Instituto Alana. Lei 11.645/08: Ensino de História e Cultura Indígena (Nota Técnica). Disponível em: https://alana.org.br/wp-content/uploads/2024/12/NOTATECNICA_lei11645.pdf. Acesso em: 29 mai. 2026. Fragmento adaptado.

 

Texto II

Como realizar o que propõe a Lei nº 11.645/2008 se por muito tempo os índios se fizeram presentes no ambiente escolar apenas no mês de abril, quando se comemora o “Dia do índio”, no dia 19?

Invariavelmente, professores e alunos se veem envolvidos em atividades que reproduzem estereótipos e pouco acrescentam à formação de crianças e jovens, que continuam a ver os indígenas como aqueles que andam nus ou apenas vestem tangas, falam línguas estranhas e estão distantes do “grau de civilização” dos não índios.

Pensar na transversalização de conteúdos nas diferentes disciplinas da Educação Básica, portanto, requer que professores tenham clareza de que a escola brasileira de forma geral, foi, durante muito tempo, promotora de ideias preconceituosas e de atitudes discriminatórias contra negros, indígenas e outros grupos étnicos.

SILVA, Giovani José da. Histórias e culturas indígenas na Educação Básica. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2018. Fragmento adaptado

 

Texto III

A modernização jogou essa gente do campo e da floresta para viver em favelas e em periferias, para virar mão de obra em centros urbanos. Essas pessoas foram arrancadas de seus coletivos, de seus lugares de origem, e jogadas nesse

liquidificador chamado humanidade. Se as pessoas não tiverem vínculos profundos com sua memória ancestral, com as referências que dão sustentação a uma identidade, vão ficar loucas neste mundo maluco que compartilhamos.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. [s.l.] Companhia das Letras, 2019.

 

Texto IV

MOTTA, Nando. Dia dos povos indígenas. Brasil 247, 19/04/2023. Disponível em: https://www.brasil247.com/charges/dia-dos-povos-indigenas. Acesso em: 29 mai. 2026.

 

ENUNCIADO

 

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Desafios da integração de saberes indígenas ao currículo escolar brasileiro”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.

 

 

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